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  • 30out
    Reconstrução de Mama
    Dr. Daniel Bacco Vilela

    A mama é um órgão que, muito além de seu papel funcional como glândula para a produção de leite, exerce um papel sexual, emocional, estético e filosófico fundamental para a mulher. É o maior símbolo estético da feminilidade.

    A ausência de mama representa uma grave condição para a integridade física e psicológica da paciente, e pode significar a mutilação de um membro físico do corpo, bem como o aniquilamento de conteúdo íntimo do afeto.

    O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres, e o segundo mais frequente no mundo. O tratamento do câncer de mama consiste em cirurgia de retirada completa ou parcial da mama, associada a outros tratamentos, de acordo com cada caso (quimioterapia, radioterapia, medicamentos, cirurgia dos linfonodos da axila).

    A cirurgia plástica tem papel fundamental nos casos de ressecção cirúrgica das mamas (mastectomias), porque é a especialidade responsável pela reconstrução mamária. O objetivo da cirurgia de reconstrução da mama é a reparação do defeito resultante da mastectomia, recriando um novo órgão, e muitas vezes resgatando a auto-estima da mulher. Todas as pacientes mastectomizadas têm o direito e são candidatas potenciais à cirurgia de reconstrução de mama, a não ser que haja contra-indicações do ponto de vista oncológico ou clínico.

    A reconstrução deve idealmente ser realizada no mesmo ato cirúrgico da mastectomia, com exceção dos casos em que existe contra-indicação, nos quais a reconstrução pode ser adiada para um momento oportuno. Logo, o tratamento do câncer de mama envolve equipe multidisciplinar, e o ato operatório deve ser compartilhado entre o cirurgião plástico e o mastologista, sendo este responsável pela ressecção do tumor e aquele responsável pela reparação da mama. Por isso, mesmo que tardiamente, todas as mulheres devem ser consultadas pelo cirurgião plástico para discutirem sobre seu desejo e sobre as possibilidades de reconstrução.

    Há diversas táticas e técnicas de reconstrução de mama, que podem envolver o uso de tecido do próprio corpo da mulher (como o abdome ou as costas) ou materiais sintéticos (como próteses de silicone e expansores de tecido). Cada caso em particular pode apresentar uma determinada modalidade melhor indicada de reconstrução, e isso depende de inúmeros fatores. Vários aspectos devem ser analisados, como condições locais (radioterapia, tamanho da mama, quantidade de pele ressecada, mastectomiaradical ou conservadora, entre outros), condições clínicas e sistêmicas (como existência de comorbidades, obesidade, tabagismo etc), e possibilidade de tecido doador (abdome potencialmente doador de tecido, mamas doadoras para reconstrução em cirurgias conservadoras, e outros). Ou seja, a melhor opção deve ser escolhida após uma avaliação clínica completa e discussão em conjunto com cirurgião e paciente, respeitando as eventuais limitações de cada técnica.

    Portanto, por se tratar de procedimento especializado, complexo e que envolve diversas nuances e possibilidades técnicas, um cirurgião plástico especialista em reconstrução de mama é o profissional melhor indicado para tal tarefa. Neste quesito, o treinamento adequado e a experiência são pontos favoráveis para o melhor resultado e satisfação da paciente.